domingo, janeiro 06, 2008

4 de janeiro

recordo o dia 4 de janeiro, o dia em que o pedro saiu da unidade de cuidados intensivos, quase como um segundo aniversário dele. recordo perfeitamente o momento em que deixámos para trás o hospital e ficámos responsáveis pelo pedro, sem a almofada de confiança que o pessoal da unidade de cuidados intensivos foi nas primeiras semanas de vida dele. recordo o sabor da vitória, da nossa primeira vitória sobre os problemas que ameaçavam a vida do nosso terceiro filho, e recordo como esse sabor de vitória estava contaminado com um tom amargo, com o peso imenso de todas as incertezas, de todas as nossas inseguranças. é espantoso pensar tudo o que evoluímos desde esse dia. como o tom amargo se tornou primeiro familiar e depois adquiriu um sabor adocicado, como a realidade se transformou, tudo o que tivemos que aprender, quisessemos ou não. serve para isto a memória. para nos reposicionarmos, para analisarmos caminhos percorridos, para nos compararmos, então e agora.

3 comentários:

Maria disse...

Memória construtiva. Muito bonito o teu texto, essa memória que partilhas. É bom chegar a casa com os filhos, mesmo quando as circunstâncias nos apanham de surpresa. E não há melhor lugar no mundo para eles que junto de nós (e vice-versa). Aniversário de família renovada com o Pedro. Um abraço para todos.

Grilinha disse...

Então, parabéns por esse segundo aniversário.O JP nasceu a 1 de Dez e saiu do hospital dia 9...a verdade é que pareceu uma eternidade apenas 4 dias longe de nós...imagino vocês !!!
Revejo-me muito neste post. Muito bonito. Aposto que cresceram muito e viveram muito...
E esse Pedrinho tb já vos ensinou bastante !

Um beijo

Cristina disse...

Aos 18 anos achamos que sabemos tudo sobre a vida, depois vamos ficando mais velhos e vemos que afinal ainda temos muito que aprender, quando temos um filho ficamos definitivamente a saber que o quanto ele nos tem para ensinar... mas alguns filhos fazem-nos aprender ainda mais, fazem-nos ver a vida de maneira diferente. É bom por vezes olhar para traz e ver todo o camiho que já percorremos com eles.