domingo, outubro 14, 2007

weekly report

parece ser este, neste momento, o formato deste blog. às vezes já não sei se sou eu que planeio o blog ou se ele já tem "vida" própria e eu sou chamado a escrevê-lo. passe o exagero, a verdade é que o vida com pedro se tornou (quase) uma necessidade. é como se eu parasse e fizesse um mini-balanço da semana, consultasse os meus instintos e perguntasse se estamos a ir no caminho certo ou se há que corrigir rotas. com o pedro, com os múltiplos desafios que ele nos põe (e que nós pomos a ele), mas com a própria vida. o que somos, em que acreditamos, o que rejeitamos.

esta semana, o calendário do pedro preencheu-se. as actividades habituais que ainda não tinham começado, começaram. ontem a hipoterapia, hoje a natação. retomar actividades, tem a vantagem de nos apercebermos das diferenças no desenvolvimento do pedro. as imagens de há uns meses atrás vêm à memória, e dá para comparar posturas, capacidades de autonomia. foi o que aconteceu hoje nos duches da piscina. que diferença! mais direito e com muito maior capacidade de equilíbrio, mesmo descalço. na água também há diferenças, para melhor.

há miúdos novos na turma. pergunto-me se a tendência para rejeitar as pessoas diferentes não será um instinto que é necessário controlarmos, para sermos seres humanos dignos desse nome. uma das novas alunas, com 4 - 5 anos, tem dificuldade em sentar-se ao lado do pedro. quando ela acabou de atravessar a piscina, o único lugar livre era ao lado do pedro. eu ofereci-me para a sentar, mas ela disse-me que não. quando o professor chegou ao pé de nós e a sentou ao lado do pedro, ela deu um "jeitinho" de maneira a ficar sentada o mais longe possível do pedro e colado ao colega do outro lado. olhava o pedro com estranheza, e não com maldade ou desprezo. sei que é uma questão de tempo, já vi isto acontecer várias vezes, mas dói sempre um bocadinho. principalmente por ele que, aparentemente, não se importa. por outro lado há outros que são mais curiosos e falam abertamente. um perguntou-me se o pedro não sabia falar. eu disse-lhe que sim, que falava por gestos e perguntei-lhe se ele sabia falar por gestos. ficou a pensar na questão e passou o resto da aula muito atento aos gestos que eu e o pedro fazíamos. ao olhar para os miúdos nestas idades, que são mais puros e ainda não estão irremediavelmente contaminados com a formatação social, reflito sobre a natureza humana.

finalmente fomos fazer o molde para a nova tala. objectivo, tornar a perna direita mais operacional e forçar a distensão dos joelhos. este andar com os joelhos um pouco fletidos, que o pedro desenvolveu, tem que ser corrigido por várias razões. para prevenir que quando ele dê pulos de crescimento o peso se torne demasiado para as pernas e haja retrocessos, para evitar ao máximo as prováveis consequências, tipo artrose, que esta posição lhe trará ao nível dos joelhos e da coluna vertebral. o primeiro objectivo, que ele andasse, está cumprido e felizmente parece solidificado. agora é preciso que ele ande correctamente e o mais fisiologicamente possível.

uma boa semana para todos.

7 comentários:

Grilinha disse...

Como sempre gosto das tuas reflexões e dos teus balanços...
Sim, a natureza humana é estranha. No outro dia vi na OPRAH, que há 50 anos punham um nenuco preto e um branco e perguntavam a meninos e meninas de várias raças qual o mais feio. A resposta, independentemente de todas as variáveis era: o Preto. O teste foi repetido muito recentemente com milhares de crianças e não há que resaponda o BRANCO...e na áfrica do Sul não se vendem nenucos pretos, porque ficam nas prateleiras...Como ainda estamos tão esteriotipados ? Não vou dizer não me estereotiparam tb, claro que sim...mas continuamos a deixar esta ditadura de padrões d beleza e felicidade contaminar-nos e impedir que algumas pessoas sejam felizes? Enfim...deu para reflectir....
Mas sim, continua a trabalhar com o Pedro...os resulatdos compensam, certamente, todo o trabalho. É um desafio que só nós sabemos o secreto prazer das conquistas...Um grande beijinho

lobitas disse...

Quando fazemos pausas de semanas nas terapias devido a outras complicações e reinicimaos é sempre com um sabor agridoce que constatamos a inicial rejeição ás terapias, mas após dois dias já está tudo como anteriormente, é tipo uma dança, uns passitos para trás e outros para a frente.
A diferença ainda é um problema para muita gentinha, e o grande problema é que transmitem essas ideias esteritipadas aos filhos e depois são esses meninos e meninas que se sentam ao lado dos nossos filhos e t~em atitudes muito estranhas, mas lá teremos que abrir mentalidades e mostrar que não se trata de nenhum bicho de sete cabeças. Poderá ser que consigamos um mundo melhor.
Beijinhos grandes e uma boa semana para toda a familia

lina disse...

A minha princesa, também está visivelmente melhor. Alcoitão foi decisivo. O Toxina botulínica tambem resultou. Estamos menos "pesados" quanto ao seu futuro. Um abraço. Lina

__Isabel__ disse...

Fico feliz com os progressos do Pedro.
No outro dia, na reunião de pais do infantário do meu filho, soube que este ano, inserido no projecto educativo, vão dar importância ao tema da diferença. Explicaram que este ano na altura das matrículas aperceberam-se da variedade de crianças que iriam frequentar o infantário este ano, desde meninos de raças diferentes a meninos com incapacidades. Queriam aproveitar isso para desenvolver este tema. Eu já tinha reparado num cartaz na sala do meu filho que diz "Ser diferente não faz mal". Pensei que fosse por causa dele. Tenho de aplaudir esta iniciativa. Ao serem educados neste sentido, é agora nesta idade!

Anónimo disse...

Admiração que sinto pelos pais que tem filhotes "diferentes" não é traduzível em palavras.
Eu tenho 2 filhas a mais nova nasceu com uma deficiência, nasceu com pés botos bilaterais. Sei que não há comparação possível mas no momento em que soubemos e depois qdo ela nasceu a minha maneira de ver a vida mudou radicalmente. Disseram-me que ela iria andar mto tarde que iria ter de ser sujeita a muitas operações e que toda a vida iria ter este problema . Bom ela esteve engessada até aos 6 meses, depois passou a andar com umas botas pp, com as quais tem de dormir até ter cinco anos, começou a andar aos 11meses!!!!! foi operda qdo fez um ano e teve novamente engessada e claro que dpois teve novamente que reapreender a anadr. Hoje graças a Deus corre por todo o lado, tem 20 meses, tem de usar sapatos ortopédicos e claro que é avaliada de 6 em 6m, mas tudo esta a correr mto bem.
Bem isto todo, além de um desabafo, foi pra lhe dizer que qdo ela nasceu toda gente a tratava como uma coitadinha, e diziam ai não podes por vestidinhos pq senão fica feio com o gesso, ai coitadinha que ela vai demorar tanto tempo a andar na escola vão gozá-la........ enfim estes são so alguns exemplos de alguma perlas que eu ia ouvindo....
Enfim é gente mto pequenina mm.
A minha filha mais velha sabe que há pessoas diferentes e inclusivé tem um nasua aula de natação e ela não o acha coitadinho , sabe que ele e diferente mas se for preciso dizer que ele é um melga tb diz. Tb já teve na sua salinha no infantário uma menina surda - muda e então aprendeu a linguagem gestual. Qto aos nenucos pretos eu dei um à minha filha mais velha já há alguns anos, por acaso no sabado foi a minha casa jantar uma prima, amm de algumas das perolas, e disse ai tu deste um boneco preto à tua filha?! Já a tua mãe tinha essa mania?!
Fiz de conta que não houvi mas a minha filha mais nova disse-lhe logo: bébé meu!
Enfim desejo-vos tudo de bom, e muita força ( mas isso voçes já têm de sobra)
Mi

Cláudia disse...

Pai do Pedro,
Também sei como dói sentir a indiferença e o preconceito com que alguns olham e tratam nossos pequenos...e também por isso luto para que minha filha seja o mais independente possível.
Torço por seu Pedrinho!
Força sempre!
Cláudia

Cristina disse...

Não sei se é instinto, mas que há qualquer coisa que faz com que as pessoas um pouco diferentes sejam rejeitadas há. A diferença que falo não só a nível da dsficiencia ou incapacidade, mas também por exemplo na forma de vestir ou de pensar. Se alguém se veste de forma diferente não é olhado com receio? claro que sim.

Não sei se é instinto e se temos que controlar mas tenho uma certeza: quem pensa um pouco sobre estes assuntos perde esse receio, por isso a solução parece que é essa mesmo, fazermos com que as pessoas à nossa volta pensem um bocadinho sobre isto.

Boa semana para o Pedro e família
Cristina