domingo, novembro 12, 2006

Quebrar o silêncio

trabalho vs famíliaPor vezes expor por escrito o que nos vem à alma é infinitamente mais difícil do que falar ou comentar com um amigo/a, com um familiar, com um terapeuta ou educador. Para mim, mãe do Pedro tem sido difícil escrever neste blog, talvez porque aquilo que efectivamente sinto é abafado pelas tarefas do dia a dia, pelas inumeras solicitações que diariamente uma mulher e em Portugal tem de responder como mãe de três filhos, como profissional da área da educação, como dona de casa e se houver algum tempo como pessoa que também sou. É difícil e principalmente é difícil desmultiplicar-se de forma a dar àqueles que nós amamos aquilo de que precisam. Penso que este sentimento é comum na maior parte das mulheres portuguesas e sei que no caso das mulheres mães de crianças deficientes ou com outro tipo de problemas o é muito mais. Pergunto-me, soluções?, talvez esta comunicação com outras mães, com outros pais, com outras pessoas que trabalhem na área da deficiência e em particular com as famílias. No entanto, acredito e o digo na qualidade de professora que a Família deve ser cuidada pelas diversas estruturas sociais, nomeadamente as governamentais, caso contrário facilmente pode entrar em crise, sendo os filhos as primeiras vítimas, o que diariamente os professores verificam nas suas escolas. O Ministério da Educação fala na necessidade de professores excelentes para alterar o rumo da educação e da preparação dos jovens para a sociedade. Eu falo da necessidade de bons governantes, de famílias apoiadas, nomeadamente as mães e de professores responsáveis para educarem os nossos filhos de forma a tornarem-se cidadãos, na plenitude da palavra.

5 comentários:

cloinca disse...

Olá mãe do pedro!
Não podia concordar mais contigo!!
Como professora, como mãe de um menino com necessidades especiais concordo com tudo o que dizes.
Se todos pensassem como nós e fizessem um esforço para que da teoria estas ideias passassem à prática, o nosso país seria um local onde todos os cidadãos se poderiam sentir iguais, dentro das suas próprias diferenças. "Cidadão na plenitude da palavra", como disseste!
Um beijinho grande para todos vocês!
Um óptimo Domingo!

Grilinha disse...

Que bom ler-te. Que bom, um blog com duas faces da família ! Pai e Mãe. Juntos até no blog !
Não posso concordar mais contigo. E como sei o quanto é dificil
(entenda-se exigente) ser mãe de um menino com necessidades especiais, quanto mais ter mais filhos...
Realmente, a vida de algumas familias está recheada de boa vontade e muita força...porque não é nada simples.
Continuem...por aqui fazemos o mesmo. Sempre a espreitar-vos e a desejar o melhor para o Pedro e para os seus papás.
Bjs para toda a familia

romeo_angel disse...

A minha amiga Ana Rodrigues quis mostar-me este blog.
Li alguns dos textos e quando chegar a casa lerei com maior atenção.
Comprenndo o que os motivou a partilhar a vossa vida, pois tenho um sobrinho que nasceu com 25 semanas e que ao longo do seu crescimeno tem surpreendido ate os médicos.
Eu acredito em milagres e principalmente no milagre do amor, da afectividade efectiva e presente e da esperança.
Estarei atenta a este blog e deixo uma palavra de sincero conforto sabendo que a vida nos pode surpreender de muitas maneiras

Néa Martins disse...

olá mãe do Pedro, sou do Brasil e tenho um filho de 3 anos com paralisia cerebral.
Gostaria de manter contato com vc.
se puder me adiciona no msn de minha filha gabi_pqna@hotmail.com .
Obs: tambem sou amiga da grilinha.

Beijoss.

Maria disse...

Só um grande abraço, para te receber na blogosfera, espaço de intervenção. Belas palavras, belas reflexões. É preciso agir, mas é importante sensibilizar. Vamos criando equipa, faz sentido! Beijinho especial pela estreia.